Antes de tomar a decisão de desistir da campanha presidencial, João Doria verificou na pesquisa contratada pelos partidos de centro (PSDB, MDB e Cidadania) que as suas chances de reverter a rejeição eram mínimas.
Viu que era menos reconhecido pelo eleitor como alguém que peitou o presidente Jair Bolsonaro na compra da vacina e da contenção da Covid-19 e mais como um “traidor”, “elistista” e “marqueteiro”.
Doria assimilou. Os termos não eram uma novidade para o tucano. No segundo semestre do ano passado, ele já havia recebido prognóstico parecido de pesquisas realizadas por agências de comunicação. Na ocasião, os adjetivos eram os mesmos, com pequenas variações.
Doria queria mudar a percepção do eleitor, mas ouviu que a mudança requeria tempo e que talvez não fosse possível num curto espaço de tempo. O que a pesquisa encomendada por seu partido e pelo demais mostrou foi que sua rejeição era estrutural, não conjuntural.
De acordo com interlocutores do tucano, ele não definiu seu futuro político. Bruno Araújo, presidente do PSDB, conversou sobre a possibilidade de ele concorrer ao Senado. José Serra encerra seu mandato, mas está com a saúde frágil e a disputa será difícil.
Doria não respondeu ainda. Antes, precisará ver suas chances.

