Integrantes do governo e da coordenação da campanha à reeleição de Jair Bolsonaro se surpreenderam com os resultados da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 27, que mostrou Lula 21 pontos à frente do presidente. Todos se assustaram com a dimensão da vantagem de Lula.

O grupo, que tem o senador Flávio Bolsonaro, o ministro Ciro Nogueira e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, esperava uma oscilação positiva de Lula nas pesquisas por conta das propagandas do PT na TV, dando-lhe exposição positiva. Mas não a ampliação da diferença nesta escala.

Flávio Bolsonaro foi acionado para conter o pai. Os aliados acham que as ameaças de Bolsonaro e sugestões sobre o descrédito do sistema eleitoral prejudicam sua imagem no eleitor médio – que, em última instância, não quer saber de tumulto, quer soluções para problemas reais, como inflação e desemprego.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, distribuiu mensagens a aliados dizendo que a partir do dia 2 de junho será a vez do presidente ganhar a exposição de 40 inserções do PL na TV e no rádio. Para animar a turma, Valdemar escreveu que isso fará o presidente vai avançar sobre Lula nas pesquisas.

Publicamente, no entanto, ninguém admitirá a preocupação. Todos vão dizer que não acreditam no Datafolha ou em pesquisas. Ontem mesmo, os ministros escreveram nas redes sociais endossando o discurso negacionista de descrença nos institutos de pesquisa. Mas, sim, todos estão preocupados.

Haverá na próxima quinzena uma reunião do grupo com o próprio presidente para discutir estratégias.