O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, vem exercendo ampla influência no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) desde que o partido se associou ao governo de Jair Bolsonaro. A autarquia já abrigou dois grandes amigos do ex-deputado, que se aproximaram dele quando foi condenado no mensalão.
Um dos amigos é o ex-diretor de tecnologia do FNDE Paulo Roberto de Aragão Ramalho. O empresário é dono do restaurante industrial Sabor Gourmet, que assinou a carteira de trabalho do presidente do PL, quando foi obrigado a encontrar um emprego, para poder partir ao regime semiaberto.
O político, que preside a mesma legenda de Jair Bolsonaro, foi condenado em 2012 na ação penal 470, do mensalão. Em 2014, recebeu o benefício de progressão de regime, mas, como qualquer detento, precisava encontrar um emprego fixo para poder sair da cadeia.
Em 2020, o PL voltou com força à base de apoio governo federal. Com a ascensão do partido, Valdemar retribuiu o favor e indicou Ramalho para o cargo no FNDE. No ano seguinte, liberou 150 milhões de reais para uma faculdade privada de São Paulo, mesmo sem ter poder para isso. O pagamento, porém, foi suspenso antes da conclusão.
Antes de assumir o posto no FNDE, Ramalho também participou do governo de Ibaneis Rocha, no Distrito Federal. Ele era responsável por coordenar parcerias na Secretaria de Desenvolvimento Social. A indicação também foi feita pelo PL. Ficou no posto de fevereiro de 2019 a abril de 2020, quando recebeu o cargo no Ministério da Educação.
Em outubro de 2021, Ramalho foi demitido do cargo, sob suspeitas de irregularidades, e substituído por Paulo Roberto Guimarães Júnior. Formado em engenharia mecatrônica e em direito, nunca havia atuado na administração pública. Mesmo assim, ganhou posição de respeito em uma autarquia que comanda orçamento de 56 bilhões de reais. O novo diretor também se aproximou de Costa Neto quando o político estava cumprindo a pena do mensalão.
A diretoria de tecnologia do FNDE é uma área importante para o centrão. É por meio dela que têm passado nos últimos anos uma série de projetos que beneficiam empresas de políticos ligados ao centrão. Entre eles, está a iniciativa de ensinar robótica e linguagens de programação de softwares em escolas.

