O anúncio desta segunda-feira, 6, do projeto de emenda à Constituição para ressarcir governadores que toparem zerar a alíquota do ICMS do diesel e do gás de cozinha foi considerado por governadores e parlamentares ouvidos pelo Bastidor como uma armadilha.

Na noite de ontem, o presidente Jair Bolsonaro convocou em cima da hora uma coletiva de imprensa para anunciar medidas para reduzir o preço dos combustíveis. Ao seu lado, estavam Arthur Lira e Rodrigo Pacheco.

Entre outras coisas, Bolsonaro afirmou que o governo federal aceitará ressarcir os estados pelas perdas de arrecadação com o projeto de lei –aprovado na Câmara e em discussão no Senado– que estabelece uma alíquota máxima para o ICMS sobre os combustíveis.

Como contrapartida, os governadores têm de derrubar a zero a alíquota do imposto sobre o diesel e o gás de cozinha.

Um governador disse ao Bastidor se tratar de uma armadilha.

Primeiro, disse ele, não há garantia, embora estivessem lá Lira e Pacheco, de que a emenda será aprovada. Depois, segue, não se sabe como será feito o pagamento nem enquanto tempo ele ocorrerá.

“Ninguém pode abrir mão de uma arrecadação certa por uma incerta”, disse. Há ainda, segundo ele, a necessidade de as assembleias legislativas aprovem ou não a redução de arrecadação pelos estados.

Para o governador, o Bolsonaro ganhou discurso eleitoral para culpar governadores pelo preço do gás de cozinha e do diesel, porque a quatro meses da eleição com um recesso no meio dificilmente o Congresso conseguirá aprovar qualquer medida que permita a análise das assembleias estaduais e depois a ação efetiva dos governos no estado.

“Mas discurso de que tentou ele terá no programa de TV”, reclama.

Bastidor vem informando sobre as discussões no governo para uma ação de Bolsonaro para que tivesse discurso, até mais do que uma ação efetiva, contra a carestia generalizada que pode impedir a sua reeleição. O anúncio de ontem, disse o governador, é uma delas.