O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ficou incomodado com as circunstâncias da entrevista coletiva da noite de segunda-feira, 6, em que foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro um projeto de emenda à Constituição para conter o preço do diesel. Pacheco viu ali uma arapuca para ele e os governadores.
Segundo fontes ligadas a Pacheco, ele só topou ir ao Palácio do Planalto acompanhar Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira, porque, no momento do convite, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, lhe dissera se tratar de um gesto aos governadores.
O anúncio, disse Nogueira, iria diminuir a resistência dos governadores ao projeto aprovado na Câmara e que estabelece o limite para a alíquota de ICMS.
O presidente do Senado articula desde a semana passada um texto, com o relator da proposta no Senado, Fernando Bezerra, que tenha o apoio dos governadores e não prejudique os estados. Por isso, Pacheco topou ir ao Planalto.
Na entrevista, Bolsonaro anunciou que enviaria uma PEC ao Congresso que estabeleceria uma compensação do governo federal aos estados que reduzissem o ICMS.
Segundo um fonte ligada ao presidente do Senado, ele não sabia que, para compensar a perda dos estados com o teto do ICMS, será necessário que o governador zere a alíquota do imposto.
Para Pacheco, Bolsonaro fez um ato de campanha eleitoral e aproveitou para colocar a faca no pescoço dos governadores. Ele ficou irritado e se sentiu usado.

