Até que demorou. Carlos Bolsonaro, o filho zero dois de Jair Bolsonaro, quer a demissão de Duda Lima, marqueteiro da campanha de reeleição do presidente e homem da confiança de Valdemar Costa Neto, dono do PL.
De acordo com uma fonte ligada à família e auxiliares do Palácio do Planalto, Carlos pressiona o pai a dispensar Lima e adotar o esquema “intuitivo” de 2018, apostando nas redes sociais – ou seja, o sistema controlado por ele.
Carlos acha que o pai deve desistir de uma campanha mais profissional e com pessoas que não sejam de “confiança” da família, como quer seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro. Para Carlos, Valdemar Costa Neto e o ministro Ciro Nogueira, do PP, não estão na lista de “pessoas de confiança”.
Flávio, o filho zero um, tenta segurar os arroubos do irmão. Diz ao pai que a campanha de 2018 e a de 2022 são diferentes: eram pedra, agora são vidraça.
O primeiro comercial de Bolsonaro feito por Duda Lima foi ao ar na semana passada. Nele, o presidente aparece falando calmamente com um grupo de jovens numa igreja. Em comum com o Bolsonaro real, apenas o discurso conservador; nada de agressividade, nervosismo e ameaças.
Na terça-feira, 7 Valdemar Costa Neto discutiu com Bolsonaro problemas com a comunicação e o que mostram as pesquisas qualitativas encomendadas pelo PL. Como adiantou o Bastidor, Bolsonaro é mal visto quando ataca as urnas eletrônicas e ameaça desrespeitar o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral.
Para o eleitor médio e o mais pobre, o desrespeito à justiça cabe somente aos privilegiados, os que se acham acima da lei, ao contrário do cidadão comum, que não raro já foi ou teme ser vítima de alguma injustiça.
As pesquisas indicam que, ao fazer ameaças, Bolsonaro passa a imagem de arrogante, mimado e de quem se aproveita do poder.
Bolsonaro não prometeu nada a ninguém. De acordo com a fonte ligada à família, o presidente discutirá os rumos da campanha na volta dos Estados Unidos, tentando se equilibrar nas vontades dos dois filhos e dos aliados.

