O retorno quase certo de Fábio Wajngarten para trabalhar na campanha à reeleição de Jair Bolsonaro é reflexo da disputa de poder dentro da equipe num momento crítico.
De um lado está o senador Flávio Bolsonaro, o filho zero um, Valdemar Costa Neto, dono do PL, e o ministro Ciro Nogueira, do PP; de outro está Carlos Bolsonaro, o filho zero dois.
A pesquisa qualitativa feita pelo PL, apresentada ao presidente na terça-feira, 7, por Valdemar traz mais do que avisos de que o eleitor não aprova quando Bolsonaro ataca o Supremo Tribunal Federal ou as urnas eletrônicas. Mostrou que as pessoas não atribuem nenhum feito a Bolsonaro.
A última fase da transposição do Rio São Francisco, o Pix e a digitalização do governo (o gov.br), que desburocratizou o dia a dia do cidadão, nada disso é atribuído a Bolsonaro. Para parte dos pesquisados, tudo começou em governos anteriores ou é de iniciativa dos órgãos e servidores federais. A Bolsonaro, nada.
Pesquisas qualitativas são aquelas em que eleitores são ouvidos em grupo, sem saber para qual objetivo. Assim, eles respondem a perguntas de entrevistadores com maior sinceridade.
A volta de Wajngarten é defendido a pelo grupo de Flávio em razão da pesquisa. Valdemar, Flávio e Ciro atribuem a culpa disso não ao estilo de Bolsonaro, mas a André Sousa Costa, da Secretaria de Comunicação Social, lá colocado por Carlos. (É um chavão dos governos colocar a culpa dos seus erros na comunicação).
Carlos, por seu lado, quer a cabeça de Duda Lima, marqueteiro da campanha e da confiança de Valdemar, como informou o Bastidor.

