Embora o próprio presidente tenha dado como possibilidade, a escolha da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina para vice de Jair Bolsonaro é improvável, de acordo com aliados do presidente ouvidos pelo Bastidor. É um desejo de seus aliados, mas não de Bolsonaro.

Eles avaliam que a fala de Bolsonaro na terça-feira aconteceu por força das circunstâncias: os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do PP, ministro Ciro Nogueira, e seu filho Flávio Bolsonaro fazem pressão por Tereza Cristina.

O trio argumenta que a campanha à reeleição precisa contemplar o público feminino, no qual há grande resistência ao presidente: na última pesquisa Datafolha, Bolsonaro alcança apenas 23% das intenções de voto entre as mulheres.

Mas a lógica de Bolsonaro é outra. Ele prefere o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, por considerar que, com o militar na vice, o Congresso dificilmente aprovaria um eventual pedido de impeachment.

Aliados do centrão há muito rejeitam a ideia de ter o general como vice-presidente, mas acabaram por se conformar com a decisão. Tereza Cristina é do PP e, ao contrário de Braga Netto, tem ótimo trânsito político.

“Alguns querem a Tereza Cristina, um excelente nome também. Mas isso vai ser definido mais tarde”, disse Bolsonaro. A fala do presidente , acreditam seus auxiliares, é mais um gesto para as mulheres do que uma possibilidade real de ter a ex-ministra em sua chapa.

Neste momento, entre as fontes de campanha ouvidas pelo Bastidor, ninguém acredita que Bolsonaro mude de ideia.

Outro obstáculo é a resistência da própria Tereza, que tem uma boa perspectiva de se eleger senadora pelo Mato Grosso do Sul.

Nesta quarta-feira, 15, Valdemar e Flávio almoçam com Tereza Cristina, com a intenção de diminuir essa resistência à possibilidade. Acham que, se ela topar, ficará mais fácil convencer Bolsonaro.