Derrubado José Mauro Ferreira Coelho da presidência, Jair Bolsonaro se volta agora contra os diretores da Petrobras. Embora tivesse o dever de saber, Bolsonaro relatou a seus auxiliares e aliados que ficou assustado com os valores recebidos pelos executivos da estatal.

É uma estratégia eleitoral. Um aliado do presidente relatou ao Bastidor que saiu da conversa convencido de que ele quer desgastar a empresa diante da opinião pública para se livrar do desgaste dos altos preços dos combustíveis e se eximir de qualquer responsabilidade.

Bolsonaro disse na conversa, sem apresentar qualquer prova ou evidência, que a Petrobras cobra caro pelo combustível para poder pagar os altos salários e bônus a seus diretores.

Reportagens recentes mostraram que a Petrobras propôs pagar, no total, um salário anual de 14,17 milhões de reais à diretoria da companhia, referente ao período entre abril de 2022 a março de 2023.

A empresa provisionou mais 13,09 milhões de reais em bônus atrelados a metas. O salário e remuneração variável, somados, representam um aumento de 0,5% em relação ao exercício anterior e serão divididos entre os nove diretores da empresa.

São valores compatíveis com grandes empresas como a Petrobras, mas facilitam o discurso eleitoral do presidente. Não há sinal de arrefecimento na cruzada de Bolsonaro contra a Petrobras.

A combinação com o presidente da Câmara, Arthur Lira, é de defender a instalação de uma CPI. A remuneração dos diretores seria um dos focos da investigação: Bolsonaro quer convencer a opinião pública de que “o dinheiro que sai da população vai parar no bolso dos executivos da estatal”.