A CPI da Petrobras dificilmente será efetiva. Até agora, tem servido para o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, desgastar mais um pouco o ministro da Economia, Paulo Guedes, com o presidente Jair Bolsonaro.
Nogueira, que comanda de fato do PP, determinou que a bancada do partido evitasse assinar o requerimento de criação da CPI da Petrobras, contrariando ordem do próprio Bolsonaro.
Esta semana, Nogueira cobrou de Paulo Guedes, diante do chefe, empenho e apoio a mudanças na Lei das Estatais. Guedes, porém, considera um erro o governo embarcar no projeto, que pode prejudicar a Petrobras e outras empresas no mercado.
Nogueira não quer saber. Já disse a Bolsonaro que, para ter controle sobre a estatal de maneira “não explícita”, é preciso que as nomeações sejam feitas a partir da identificação de seus conselheiros e diretores com a linha ideológica do governo – ou seja, voltem a ser feitas por políticos.
Fosse assim, avaliou Nogueira, Bolsonaro não teria o desgaste sobre o preço dos combustíveis. A Petrobras auxiliaria o governo a minimizar os efeitos da flutuação do dólar e do preço internacional do barril do petróleo – ou seja, obedeceria ordens, a despeito de estatuto e condições de mercado.
Na prática, Nogueira quer uma volta aos tempos em que a diretoria da Petrobras era loteada entre partidos políticos da base. Era assim até 2017, quando as diretorias eram rachadas entre o PP de Ciro, o PT e o MDB. O sistema foi derrubado pela Operação Lava Jato e enterrado depois pela Lei das Estatais, criada para dificultar justamente a interferência política e evitar novos crimes contra a estatal. É esta lei que Nogueira quer derrubar.

