A função da troca na diretoria da Caixa não é apenas superar a crise originada pelas acusações de assédio sexual e moral que derrubaram o ex-presidente Pedro Guimarães. Com a mudança, a nova presidente, Daniella Marques, pretende sinalizar ao mercado mudanças que atingem os sistemas de controle e governança do banco.

Como mostrou o Bastidor, a nova presidente vai apurar a exatidão de números de desempenho divulgados por Guimarães.

Há dúvidas se a submissão ao estilo agressivo de Guimarães afetou outras áreas. A desconfiança vem desde 2020, quando surgiu o Auxílio Brasil e Guimarães foi alçado a favorito de Bolsonaro para substituir Paulo Guedes no Ministério da Economia ou assumir o da Cidadania.

Foi durante as negociações do benefício social que Guimarães trocou de lado. Uma fonte do alto escalão do governo, ligada à equipe de Paulo Guedes, disse que todos se surpreenderam quando ele adotou o discurso do papel social da instituição, quis se meter a oferecer crédito agrícola e se alinhou ao então ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho, adversário de Paulo Guedes.