As associações de delegados e de peritos da Polícia Federal divulgaram nota conjunta nesta terça-feira, 5, em que rasgam o verbo para reclamar de Jair Bolsonaro. Acusam o presidente de “descaso”com a segurança pública, por não ter assinado a tempo uma medida provisória que reestruturaria a divisão de cargos e salários da PF.

A lei eleitoral veda que mudanças dessa natureza sejam realizadas por medida provisória depois do dia 4 de julho. Com isso, eventuais alterações só podem ser feitas no ano que vem.

No texto, a APCF, que representa os peritos, e a ADPF junto com a Fenadepol, que representam os delegados, afirmam que “o não cumprimento do compromisso firmado publicamente pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, é a representação máxima do que esse governo significou para a segurança pública e seus servidores: descaso, desprestígio e desvalorização”.

A nota segue afirmando que, atualmente, os policiais federais recebem salários menores e têm menos direitos do que em gestões anteriores. Parte da perda dos benefícios foi aprovada com a reforma da Previdência, que cortou assistências às famílias de policiais mortos.

Os policiais também reclamam da forma como o governo tem falado publicamente sobre a independência da Polícia Federal, a despeito da atuação nos últimos anos.

“Não há como acreditar mais em promessas de que a valorização das forças de segurança virá no futuro. As entidades continuarão a defender seus policiais e sua instituição, como uma polícia de Estado e não de governo, seja qual for o governante, independentemente de ideologia ou viés político, combatendo sempre o uso da Polícia Federal como mecanismo de marketing governamental”, dizem as associações.

O Ministério da Justiça foi procurado, mas não respondeu. A Polícia Federal disse que não iria comentar o teor do texto, por se tratar de “tema associado às entidades de classe que representam as diferentes carreiras da Polícia Federal”.

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