Incentivado por áulicos mais radicais, Jair Bolsonaro está convencido de que, se reeleito, terá poder para reverter o controle sobre o orçamento da União. Seu projeto no segundo mandato é acabar ou reduzir o valor das emendas RP9, o orçamento secreto criado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira.

As emendas RP9 foram criadas na gestão de Lira e dão mais poder ao presidente da Câmara, pois são distribuídas por ele com pouco critério e pouca transparência. Só em 2023 serão R$ 19 bilhões

A ideia de acabar com a prática é, portanto, um delírio dos bolsonaristas ideológicos, dizem deputados da base do governo. O raciocínio é simples: primeiro porque antes será preciso o presidente conseguir ser reeleito. Hoje, Bolsonaro está em torno de 15 pontos percentuais atrás de Lula, de acordo com as pesquisas. Existe até a possibilidade de derrota no primeiro turno.

Depois porque será preciso, dizem seus aliados no Congresso, ter muita força e habilidade política para tirar destruir “o monstro criado pelo próprio governo”. “Bolsonaro não tem”, diz um deputado governista.

O Bastidor já mostrou que as emendas do relator para 2023 e 2024 são uma preocupação do PT e do próprio Lula caso saiam o vencedores destas eleições.

Bolsonaro, porém, acredita que sairá forte das urnas e terá poder para negociar.