Após o assassinato de um petista por um bolsonarista no Paraná, a manifestação tardia e indireta do presidente Jair Bolsonaro sobre o caso, no qual ele condena genericamente atos de violência contra seus adversários, só ocorreu depois de horas de debate dentro de sua coordenação de campanha, segundo relataram fontes do comitê ao Bastidor.
Participaram da discussão o marqueteiro da campanha, Duda Lima, o ex-Secom Fábio Wajngarten, os irmãos Flávio e Carlos Bolsonaro, além de Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil.
A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi uma das que, embora não esteja envolvida na campanha do marido, posicionou-se por uma manifestação clara contra o ataque.
Carlos Bolsonaro defendeu ao longo do dia que o pai não deveria endossar “a narrativa” do PT, mas foi vencido pelo argumento majoritário de que, vítima de um ataque durante a campanha de 2018, não poderia se silenciar.
Bolsonaro escreveu em seu perfil nas redes sociais: “Dispensamos qualquer tipo de apoio de quem pratica violência contra opositores. A esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda, que acumula um histórico inegável de episódios violentos.”
Depois de se chegar à conclusão de que o presidente se manifestaria, o impasse passou a ser o tom.
O argumento de Carlos Bolsonaro de que as circunstâncias não estavam claras convenceu o pai. É por isso que, sem citar o caso específico, Bolsonaro inicia escrevendo que “independente (sic) das apurações” republicaria uma mensagem de 2018, dizendo dispensar o apoio de quem pratica violência.
O assassinato do petista Marcelo Arruda e a prisão em flagrante de José da Rocha Guaranho não foram citados.

