Com muita discrição, o presidente da Câmara, Arthur Lira, artífice do orçamento secreto, tem mantido diálogo com o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes. Os papos são sobre 2023.

Publicamente, o ex-presidente Lula já reclamou do controle quase total do orçamento pelo Congresso e foi confrontado por Lira. Nos bastidores, contudo, não é guerra sempre. Tem conversa.

Lopes concorreria ao Senado por Minas Gerais. Mas, por deferência a Lula, desistiu da disputa em favor de Alexandre Silveira para que seu partido fechasse a aliança com o PSD. Ganhou crédito com Lula.

Os petistas sabem que, caso Lula seja eleito, não terá como reverter o orçamento secreto em 2023. Analisam também que, caso não tenham um candidato forte, terão de negociar com Lira sua reeleição. A possibilidade não é unanimidade, mas não está descartada.

Bastidor já informou que o presidente da Câmara tem o interesse de uma eventual aproximação com vistas à sua reeleição em fevereiro do ano que vem.

Durante um ato político em Diadema, no último final de semana, Guilherme Boulos, candidato a deputado federal pelo PSol, chamou os partidos da coligação, entre eles o PT, de anti-centrão e anti-Arthur Lira. Mas não é bem assim. Tem conversa.