O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, abriu nesta segunda-feira (23) mais seis inquéritos relacionados ao golpismo de 8 de janeiro. Todos foram solicitados pela Procuradoria-Geral da República.

Três deles tratarão de financiadores, planejadores e executores do vandalismo; a outra trinca mira um trio de deputados federais pró-golpe. As suspeitas envolvem terrorismo, associação criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado, tentativa de golpe de Estado, ameaça e perseguição.

Há também os que responderão por incitação ao crime, como no caso dos parlamentares André Fernandes (PL), Clarissa Tércio (PP) e Silvia Waiãpi (PL). Segundo a PGR, os parlamentares conspiraram quando divulgaram vídeos e textos em apoio ao golpe , nas redes sociais.

· “Acabamos de tomar o poder. Estamos dentro do Congresso. Todo povo está aqui em cima. Isso vai ficar para a história, a história dos meus netos, dos meus bisnetos”, disse Tércio no Instagram enquanto os prédios públicos eram destruídos.

· “Povo toma a Esplanada dos Ministérios nesse domingo! Tomada de poder pelo povo brasileiro insatisfeito com o governo vermelho”, afirmou Waiâpi, também no Instagram, sobre bolsonaristas atacando Palácio do Planalto, Congresso e STF.

· “Neste final de semana acontecerá, na Praça dos Três Poderes, o primeiro ato contra o governo Lula”, disse o deputado federal eleito André Fernandes, ao convocar pessoas para o dia 8.

A família cresceu

As novas investigações se somam à apuração que mira Ibaneis Rocha, governador afastado do Distrito Federal, os ex-secretários de Segurança Pública distrital Anderson Torres e Fernando de Sousa Oliveira, além do ex-comandante-geral da PM-DF Fabio Augusto Vieira. Os quatro são acusados de conivência com o golpismo; Torres e Vieira estão presos desde dias depois da tentativa de golpe, por ordem de Moraes.

Além do 8 de janeiro, as sete investigações avançam contra o bolsonarismo que tentou minar a democracia, tema que também justificou a abertura do inquérito das fake news, depois divido nas apurações contra milícias digitais e atos antidemocráticos.

Das nove investigações, apenas as três envolvendo os parlamentares bolsonaristas são públicas. As outras seis têm transparência turva, muitas vezes escondendo argumentos e fatos que justificariam (ou não) determinada decisão. E esses segredos não prejudicam só a sociedade, mas também Moraes.

O ministro causou um terremoto institucional quando deixou a PF avançar contra oito empresários bolsonaristas. Primeiro, fez segredo; Depois de muita pressão, quando liberou a decisão, foi criticado porque autorizou uma operação policial contra pessoas quefalaram em golpe num grupo privado de mensagens.

Naquela ocasião, segundo fontes ouvidas pelo Bastidor, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli pediram calma a Moraes. O pedido foi um meio de amortecer as críticas, muitas vindas do Superior Tribunal de Justiça, onde alguns ministros já estavam apreensivos com a possibilidade de que Moraes não tivesse elementos para justificar a decisão.

A PF não ficou atrás, por considerar que as quebras de sigilos determinadas por Moraes muito drásticas – foi a segunda vez em que os ânimos ficaram acirrados entre a corporação e o ministro. A primeira ocorreu em 2019, no inquérito dos atos antidemocráticos, porque policiais reclamavam que recebiam poucas informações antes das operações.


Leia as decisões proferidas por Alexandre de Moraes nos casos dos deputados federais e as representações da Procuradoria-Geral da República contra o trio de políticos: