O presidente da Câmara, Arthur Lira, está tendo dificuldades para colocar em votação nesta terça a PEC Kamikaze. Deputados reclamam de acordos não cumpridos por Lira e ameaçam não votar a matéria, principal aposta do governo para a reeleição de Jair Bolsonaro.

O clima de apreensão domina o Palácio do Planalto e a Presidência da Câmara neste início de noite. Não há segurança de que haja quórum suficiente para aprovar a PEC.

Arthur Lira está no centro do problema. Deputados reclamam que o presidente da Câmara não cumpriu acordos, não distribuiu os prometidos recursos vindos das emendas do relator, que ficam sob seu controle e são conhecidas como orçamento secreto. Do outro lado, o Planalto diz que está tudo certo com os recursos.

Deputados ameaçam não votar, a oposição ameaça obstruir a sessão desta noite e Lira não tem certeza de que há deputados suficientes em Brasília para ir ao plenário – parte deles já entrou no recesso das eleições.

Há uma dupla corrida contra o tempo em andamento. Esta é a última semana de trabalho do Congresso antes da parada para a campanha eleitoral. Se a PEC não for aprovada agora, não valerá para este ano.

Por outro lado, cada dia a mais antes da aprovação é uma contagem regressiva para Bolsonaro. A PEC foi feita para distribuir R$ 41 bilhões em benefícios para ajudar a reeleição do presidente, que está em segundo lugar nas pesquisas, atrás de Lula. A principal medida é o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 mensais.  

Se demorar muito a entrar em vigor, a medida não surtirá o efeito desejado antes da eleição. Por isso, Bolsonaro e seus aliados estão tensos no Planalto, desgostosos por Lira ter prometido e ainda não ter entregado o desejado pacote eleitoral de bondades.