O clima entre funcionários de alto escalão na Caixa piorou substancialmente depois da morte do diretor de Controles Internos e Integridade, Sérgio Ricardo Faustino Batista. O corpo dele foi encontrado na noite de terça-feira (19) por um vigilante. Segundo a Polícia Civil, o caso está sendo investigado como suicídio.

Em nota, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) lamentou a morte, mas afirmou que os últimos anos de gestão do banco têm sido marcados por intenso assédio moral. A entidade diz que fez uma pesquisa com funcionários e atestou que vários deles relataram sofrer de algum tipo de pressão exacerbada.

Entre os motivos que estão desagradando os funcionários está uma mudança feita pela nova presidente do banco, Daniella Marques. Em Fato Relevante divulgado ao mercado, ela anunciou a criação da vice-presidência de Gestão Corporativa. A área vai acumular as funções das antigas vice-presidências de Gestão de Pessoas e de Logística e Operações.

“Para nós, isso parece mais do mesmo. E essa vice-presidência vai cuidar de pessoas e logística, o que demonstra que a Caixa não tem muita preocupação com seu quadro de empregados, que é o seu maior patrimônio”, afirma a Fenae.

A Fenae reconhece que, desde a demissão de Pedro Guimarães da presidência da Caixa, sob suspeitas de assédio sexual, houve mudanças no gerenciamento do banco, mas elas ainda não geraram nenhum fato novo para os funcionários.

Dois executivos da Caixa disseram ao Bastidor, sob reserva, que a junção das áreas de gestão de pessoas e de logística representa uma espécie de retrocesso nas práticas do banco. Seria como retornar aos anos 1980. “O sinal interno é péssimo. Enfrentamos uma crise profunda por causa da gestão de pessoas. Temos 80 mil funcionários. Nesse cenário, como extinguir a VP de Pessoas pode ajudar? O que esse movimento sugere? A resposta é óbvia para todos nós”, disse um funcionário com trinta anos de casa, que trabalha na cúpula do banco.

Outra mudança que causa desconfiança é sobre o tratamento de denúncias de assédio moral e sexual. A nova diretoria da Caixa repassou a responsabilidade da apuração passou ao Conselho de Administração. O órgão colegiado é formado quase exclusivamente por membros indicados pelo governo e apenas um indicado pelos funcionários.

A Fenae teme que essa mudança reduza a eficácia das denúncias, já que poderia haver conflito de interesses dos membros do colegiado.