Enfraquecido entre seus colegas de Superior Tribunal de Justiça, o ministro Humberto Martins resolveu capitalizar em cima da nomeação do desembargador Paulo Sérgio Domingues à corte. Seus aliados espalharam que ele, Humberto Martins, foi decisivo para a indicação de Domingues e, ainda, para o toco em Ney Bello. Não foi.
Mais cedo, uma edição extra do Diário Oficial confirmou as escolhas de Domingues e Messod Azulay como os dois ocupantes das vagas abertas no STJ. (Falta a sabatina, provavelmente protocolar, no Senado.) Ainda em maio, o Bastidor adiantara que os dois eram os favoritos e que Ney Bello enfrentaria resistências.
Antes da votação entre os ministros do STJ, estágio que precede a escolha do presidente da República, Humberto Martins já estava derrotado, conforme o Bastidor apontara. O então presidente do STJ não soube construir a candidatura do desembargador Cid Marconi, do TRF5. Atropelou seus colegas nordestinos – a gênese dessas vagas costuma envolver lealdades regionais.
Como recado a Martins, cuja Presidência desagradou a muitos do STJ, seus colegas deixaram Cid de fora da lista quádrupla a ser enviada a Bolsonaro. Ministros de alas distintas avaliam que Martins, em seu desejo de chegar ao Supremo, tornou-se excessivamente governista. Agia sem discrição em busca de sua ambição – que ainda pode ser realizada, em caso de reeleição de Bolsonaro.
Martins fingiu que não foi com ele. E, com Domingues prestes a ser nomeado, subiu num bonde que já partira e não precisava dele. O desembargador do TRF3 chegou lá graças ao seu trabalho intenso e silencioso, amparado pelos padrinhos elencados pelo Bastidor: Antonio Carlos Ferreira, Maria Thereza Moura, Dias Toffoli. Esses patronos, em realidade, representam o apoio da comunidade jurídica de São Paulo, da qual Bolsonaro tenta se aproximar tardiamente. O veto de Kassio a Ney Bello completou o serviço.

