Na sexta-feira (29), em mais um capítulo da maior disputa empresarial do Brasil, a Justiça de São Paulo negou pedido da J&F para anular sentença arbitral que obrigara a empresa a entregar o controle da Eldorado Celulose aos indonésios da Paper Excellence.
Embora o caso seja complexo e contenha, como o Bastidor detalhou, fortes indícios até de espionagem cibernética, a decisão da juíza Renata Maciel não causou surpresa. Com exceção de um detalhe – um detalhe de 600 milhões de reais.
Esse valor será pago aos advogados da Paper. Constitui 10% do valor da causa, arbitrado pela juíza em 6 bilhões de reais em sua decisão. O que espantou os envolvidos é que Renata Maciel estipulou os 6 bilhões de ofício e somente na última decisão do processo.
Até então, o valor da causa era de 100 milhões de reais. Em sua primeira decisão sobre o caso, a juíza não alterou esse montante – que poderia render 10 milhões de reais aos advogados da parte vencedora.

Para aumentar o valor da causa para 6 bilhões de reais, sem qualquer provocação oficial da Paper ou da J&F, a juíza citou uma audiência de 2018, na qual se estimava em 5,9 bilhões os possíveis ganhos econômicos da parte vencedora com a causa.

A decisão de estipular em 6 bilhões a causa chamou ainda mais a atenção por um fato que, isoladamente, não causaria tanta estranheza. Em maio, portanto às vésperas da decisão, a juíza Renata Maciel participou de um evento no hotel Emiliano, seguido de um jantar para poucos, promovido pelo advogado Márcio Guimarães – cujos sócios representam a Paper.
Guimarães é próximo do ministro Villas Bôas Cueva, do Superior Tribunal de Justiça. Coincidentemente, será no gabinete do ministro que a juíza Renata Maciel passará a trabalhar a partir deste mês – após sentenciar uma causa milionária em favor do advogado amigo do mesmo ministro.

