As declarações do Bradesco de que não vai oferecer crédito consignado a beneficiários do Auxílio Brasil deixaram inconformados assessores do ministro da Economia, Paulo Guedes, e integrantes da campanha do presidente Jair Bolsonaro.
Eles enxergam a postura do banco como um boicote deliberado a uma das principais bandeiras do governo, capaz de aumentar a popularidade do presidente entre as camadas mais pobres da população a menos de dois meses da eleição. Em um ambiente político tão polarizado, a negativa é vista como apoio do banco à candidatura de Lula.
Como resposta, há no governo quem queira ignorar os pedidos do Bradesco para o presidente Bolsonaro vetar trechos da medida provisória, aprovada na semana passada no Senado, que permite aos beneficiários de vale-refeição sacar o saldo e solicitar portabilidade. Assessores de Guedes e do Planalto entendem que a manutenção desses trechos causaria estragos bilionários ao Bradesco, acionista da Alelo, uma das principais empresas do segmento.
A relação do Bradesco com o governo Bolsonaro começou a azedar há alguns meses. O problema deve-se em grande parte à inabilidade do presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, de lidar com o Bradesco, sócio do BB em algumas empresas.

