Tanto o manifesto da Fiesp pela democracia, quanto a “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, da USP, lidos hoje em São Paulo, são manifestações que refletem o momento difícil pelo qual passa o Brasil. Já nascem como marcos das eleições deste ano. Mas nem um, nem outra, terão impacto significativo nas urnas em outubro.

Ainda assim, o presidente Jair Bolsonaro é o grande perdedor no episódio. As mais de 900 mil assinaturas, a adesão de empresários, a iniciativa da Fiesp, com apoio da Febraban e de cerca de 100 entidades, constituem uma pancada nos planos do presidente.

Está claro, por seus movimentos, que Bolsonaro trabalha mais por um “6 de janeiro de 2020” no Brasil do que por uma vitória nas eleições. O apoio ou a conivência do meio empresarial são fundamentais para golpes. Foi assim no passado. O que acontece nesse 11 de agosto mostra que Bolsonaro não tem esse apoio.

A perda de força de Bolsonaro é evidente. Há um ano, a Febraban se recusou a participar de manifestações em defesa da democracia, contra Bolsonaro, após ameaça de Banco do Brasil e Caixa de se desfiliarem. Este ano, os bancos públicos foram ignorados.

O mesmo aconteceu com a Fiesp. Sob a presidência de Paulo Skaf, que já foi candidato três vezes, esteve em três partidos e hoje é bolsonarista, a entidade fugiu de apoios à democracia. O presidente deu azar: Skaf deixou o cargo após 17 anos e deu lugar a Josué Gomes, que organizou a manifestação.

Bolsonaro errou feio ao desdenhar o movimento. Ao dizer que as manifestações eram políticas e favoráveis a Lula, empurrou os empresários para longe de si. Alimentou um movimento que levou uma pequena multidão ao centro de São Paulo, num dos dias mais frios do ano e com chuva fina. Para Bolsonaro e seus auxiliares, que adoram imagens manipuladas de multidões nas ruas, as fotos de hoje incomodam.

Jair Bolsonaro transformou o 11 de agosto de 2022 em um dia de rejeição a si mesmo. A reação previsível é que Bolsonaro deve retomar os esforços para promover um 7 de Setembro radicalizado, com convocação a seus apoiadores para ocupar as ruas, ofensas ao STF e ameaças de golpe. Mas a tolerância ficou menor.