A tentativa da deputada Carla Zambelli de incluir o hacker Walter Delgatti na campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro revoltou a ala política do comitê. O mais incomodado é Valdemar Costa Neto, dono do PL, partido pelo qual Bolsonaro e Zambelli disputarão a reeleição.
Valdemar disse a aliados que Carla Zambelli “é uma aloprada que levou um cavalo de Tróia” até o presidente. Após encontrar o hacker no Palácio da Alvorada, Bolsonaro ligou para Valdemar. Ouviu conselhos para se afastar de Delgatti.
Entre outras coisas, Valdemar disse a Bolsonaro que Delgatti poderia invadir as comunicações do presidente e, no fim, até inviabilizar sua candidatura à reeleição com algum vazamento.
Somente depois disso, segundo fontes do Palácio do Planalto, o presidente comunicou Zambelli que não utilizaria Vermelho, como Delgatti é conhecido, em sua campanha.
Delgatti é réu na Justiça Federal por invadir celulares de centenas de autoridades, artistas e jornalistas. Ele é responsável pelo que ficou conhecido como “Vaza Jato”, a invasão das mensagens de Telegram dos procuradores da Lava Jato e do juiz Sergio Moro.
Embora não confronte publicamente Bolsonaro, Valdemar é contra a sua cruzada sobre a Justiça Eleitoral, especialmente contra as urnas eletrônicas.
Recentemente, Valdemar foi ao encontro do ministro Edson Fachin, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para tentar apaziguar a situação criada por Bolsonaro.
Ao longo de toda a quarta-feira, integrantes da ala política da campanha tentaram convencer jornalistas de que Bolsonaro nem sequer encontrara Delgatti. Mas fontes do Planalto confirmaram ao Bastidor que os dois conversaram ontem reservadamente no Palácio da Alvorada.

