Há cerca de três semanas, o ministro Paulo Guedes (Economia) procurou ministros do Supremo Tribunal Federal para propor um acordo, relataram duas fontes do Palácio do Planalto ao Bastidor.

Guedes garantiria o fim dos ataques de Jair Bolsonaro aos ministros do STF, às urnas e à justiça eleitoral em troca de Alexandre de Moraes, futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, encerrar o inquérito das fake news. A investigação atinge o próprio presidente e seus filhos, Eduardo e Carlos Bolsonaro.

Guedes, segundo as fontes do Planalto, não procurou diretamente Moraes. Foi aconselhado a primeiro “sentir o terreno”. Tudo indica que a abordagem não foi positiva, pois o assunto sumiu.

A ideia para se buscar uma trégua em troca do encerramento das investigações no Supremo contra o presidente e sua família é atribuída ao próprio Bolsonaro. O presidente teme o inquérito das fake news e já atacou Moraes diversas vezes por conta disso.

O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, a quem caberia melhor a missão, pulou fora ao ser sondado pelo chefe.

A explicação que o entorno do presidente dá para ter sido Guedes, o escolhido, é pueril. Se desse errado e Moraes viesse a público denunciar a tentativa, o ônus cairia na conta do ministro da Economia, que “agiu impulsivamente para ajudar ajudar o presidente”.

Auxiliares de Bolsonaro estão convictos de que Bolsonaro acredita que Moraes busca a sua prisão e, pior, a de seus filhos.

Bastidor informou que um dos principais artífices das teorias conspiratórias é seu Carlos Bolsonaro, um dos alvos do inquérito das fake news.

Carlos, porém, é contra qualquer tipo de composição por seu pai e o STF. De acordo com fontes próximas à família, o filho zero dois do presidente defende que o pai continue a enfrentar “o sistema”.