O ministro Ciro Nogueira, um dos coordenadores da campanha à reeleição de Jair Bolsonaro, avisou que o PP, seu partido, abandonará Bolsonaro entre o primeiro e o segundo turno caso ele não interrompa seu discurso de descrédito às eleições e se recuse a respeitar o resultado da eleição.
Ciro foi direto em uma reunião com seus pares no comitê de campanha, entre os quais Valdemar Costa Neto e o senador Flávio Bolsonaro. Ciro é presidente licenciado do PP, mas é quem manda no partido, ao lado de Arthur Lira.
Para Bolsonaro, Ciro foi mais suave. Avisou que o presidente corre o risco de ser abandonado antes do segundo turno caso não pare de colocar em dúvida as urnas eletrônicas e a lisura das eleições.
O aviso de Ciro Nogueira só oficializa o que gente do PP já admite há tempos nos bastidores: passado o primeiro turno, se Bolsonaro insistir na ameaça de não aceitar o resultado das urnas, quem estiver eleito não terá constrangimento em abandoná-lo.
O raciocínio é simples. Um golpe de Bolsonaro impede o exercício livre de um mandato; deslegitimar o resultado das urnas eletrônicas tira a legitimidade de todos os mandatos. Ninguém quer isso.
Outro raciocínio simples: a maior parte dos interesses do PP se resolve no primeiro turno, com a eleição do Congresso. Com Bolsonaro ou Lula, o partido terá força onde interessa.
Durante o fim de semana, Bolsonaro afirmou que vai respeitar o resultado das eleições. Foi um gesto. Mas, dentro do próprio governo, muita gente duvida disso.

