Aos poucos, Jair Bolsonaro vai construindo um mundo à parte para sua campanha à reeleição. Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, o presidente investe em imagens e no papel de vítima.

Nesta quarta, Bolsonaro esteve em Belo Horizonte. Suas redes sociais registram imagens de uma multidão nas ruas. Da mesma forma, sua equipe de campanha registrará cenas de muita gente no evento combinado para 7 de Setembro, no Rio de Janeiro. Apesar de o ato político de Bolsonaro ser separado do desfile militar, ambos serão misturados para gerar a impressão de de apoio maciço de civis e militares.

A função inicial das imagens é evitar o clima de derrota entre os eleitores, que é normal dado que Bolsonaro está em segundo lugar há meses. Imagens de povo na rua servem para o presidente e seus filhos questionarem a lisura das pesquisas de intenção de voto, acusá-las de serem falsas, compradas por adversários e inimigos. Sustentam isso com as imagens captadas, seu “datapovo”.

Para o papel de vítima, Bolsonaro usa seu conceito particular de democracia. Na quarta, em discurso para empresários, o presidente não atacou o ministro Alexandre de Moraes, mas reclamou da operação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas, suspeitos de brincar de golpe de estado por WhatsApp.

Bolsonaro confunde democracia com a liberdade para pregar contra a democracia, defender golpes, atacar a lisura das urnas e autoridades como ministros do Supremo. A operação contra os empresários ainda é nebulosa por falta de informações do ministro Alexandre de Moraes, o que beneficia Bolsonaro.

Com imagens e o discurso de vítima, Bolsonaro tem um ativo de longo prazo nas mãos. Em caso de derrota poderá usar seu “datapovo” visual e sua teoria de perseguição para contestar o resultado da eleição. A campanha serve para vencer a eleição, mas Bolsonaro pode usá-la para tumultuar a eleição.