Pelas declarações públicas dadas até agora, Lula e o presidente da Câmara, Arthur Lira, têm um encontro marcado para 2023 caso o ex-presidente seja eleito. Aliado de Bolsonaro, Lira já atacou Lula, que já criticou Lira pelo orçamento secreto. Depreende-se que Lula não gosta de Lira e terá um relacionamento tumultuado com ele.

Enorme engano. A raiva de Lula e sua vingança recai sobre o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, presidente licenciado do PP. Ex-aliado de Lula e do PT, Ciro é visto como alguém que aderiu a Bolsonaro de corpo, alma e bolso. Além disso, exagera nos ataques.

É lógico que o PP, partido de Lira e Ciro, estará na base de apoio do governo se Lula for presidente em 2023. Por isso, Arthur Lira já mantém discretas conversas com Lula e o PT.

Publicamente, Lira é um aliado de Bolsonaro. Além do poder na Câmara, o contexto local o obriga: em Alagoas, Lula tem o apoio do senador Renan Calheiros, adversário figadal e obstáculo para o projeto de Lira de crescer no estado. Resta a ele atacar Lula.

Ciro Nogueira, no entanto, não recebe a mesma condescendência. Apesar de presidente do PP, Ciro pode ser deixado de lado. Não há muita lealdade à disposição no partido. Um eventual governo Lula pode negociar com outras lideranças da legenda e deixar Ciro isolado.