A disputa dentro da coordenação de campanha de reeleição de Jair Bolsonaro resultou na retirada do marqueteiro Duda Lima da comitiva que acompanhou o presidente a São Paulo, onde ocorreu o primeiro debate presidencial exibido pela Band, neste domingo.

Horas antes do programa, Carlos Bolsonaro convenceu o pai de que a presença de Duda Lima no estúdio mais atrapalharia que ajudaria.

A ausência do marqueteiro em debates é incomum, uma invenção bolsonarista. Em geral, por ser de confiança, o profissional orienta o candidato e dá dicas, com base no que recebe de pesquisas durante a disputa.

O argumento do zero dois foi de que a versão “tutela” de Bolsonaro não geraria engajamento nas redes sociais – e, no pós-debate, seria fundamental a movimentação da militância digital para se criar uma narrativa vencedora. Para isso, era necessário o “Bolsonaro raiz”. Sem lugar no estúdio, Lima ficou em Brasília.

Embora auxiliares do presidente vendam como estratégia a ausência do publicitário, a retirada de Lima da comitiva do debate significou uma vitória da ala radical dentro da campanha.

Há uma disputa sobre a (re)construção da imagem de Bolsonaro. Para a ala profissional, que inclui o marqueteiro e os auxiliares políticos, o presidente precisa aparecer mais sereno para conseguir o voto das mulheres.

Já para o segmento radical, personificado em Carlos, Bolsonaro deve ser aquele eleito em 2018, com uma versão “raiz”. Neste domingo, os radicais venceram.

Na opinião dos auxiliares políticos, porém, o desempenho do presidente não foi ruim, apesar da perda de controle que resultou na ofensa à jornalista Vera Magalhães (que agradou Carlos & Cia).

A avaliação foi que Bolsonaro defendeu bem os programas sociais e, sobretudo, encurralou Lula, que não soube se defender do fato de ser “ex-presidiário”. Para eles, o presidente venceu na disputa sobre corrupção.