Alexandre de Moraes agiu com pressa na expedição dos mandados de busca e apreensão contra empresários bolsonaristas na última semana. Em apenas algumas horas, ele leu o pedido da Polícia Federal e determinou a operação, baseado apenas em uma reportagem do site Metrópoles.
A petição da Polícia Federal foi assinada digitalmente às 17h07, do dia 19 de agosto, pelo delegado Fábio Alvarez Shor. No mesmo dia, Moraes decidiu liberar os mandados da operação, antes de consultar a Procuradoria-Geral da República.
O pedido do delegado foi distribuído para Moraes por prevenção, devido aos inquéritos das fake news e o das milícias digitais, que apontam o uso de redes sociais para disseminar conteúdo falso e que atentam contra a democracia. No entanto, a peça de Shor não deixa claro quais crimes poderiam ter sido cometidos pelos empresários que foram alvo dos mandados.
Moraes também não consultou a Procuradoria-Geral da República, conforme determina o Código de Processo Penal. Em vez disso, apenas mandou intimar a entidade, enviando um oficial de justiça presencialmente, em um procedimento pouco comum em 2022.
O sistema de acompanhamento de processos não deixa claro a que horas Moraes determinou a operação, que aconteceria poucos dias depois. De toda forma, chama a atenção a pressa do ministro em liberar as medidas, que têm pouco ou nenhum respaldo legal.
Ainda que as falas dos empresários nas mensagens sejam execráveis, não é crime no Brasil expressar opiniões em grupos privados, por mais abjetas que possam parecer. Na petição de Shor sequer é citado quem seria o líder ou o financiador do suposto golpe que os empresários poderiam pensar em perpetrar. O delegado diz que os mandados serviriam justamente para avaliar se havia crime e quais seriam os responsáveis.

