Falatório sobre corrupção e religião à parte, o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro investiram nesta terça-feira no Auxílio Brasil, o tema quer realmente faz diferença nesta eleição. As propagandas no rádio e na TV dos dois candidatos trataram do assunto.

Lula e Bolsonaro vão falar ostensivamente sobre o Auxílio porque a economia é o tema mais importante em uma eleição disputada em meio à volta da fome e da inflação.

Nos próximos dias sairão mais quatro pesquisas eleitorais, que captarão não só o efeito das entrevistas ao Jornal Nacional, como também do primeiro pagamento completo do benefício a 600 reais.

Será possível ver se o dinheiro faz algum efeito nas intenções de voto de Bolsonaro. Em 2021, o Auxílio levou quatro meses para mexer na popularidade do presidente. Mas o clima eleitoral pode acelerar – ou não – este processo.    

Os programas dos candidatos não têm o mesmo efeito de uma entrevista no Jornal Nacional, mas ainda têm grande importância. Virou hábito dizer que Bolsonaro venceu em 2018 praticamente sem tempo de televisão, mas este ano o próprio presidente fez questão de uma aliança partidária para ter mais tempo.

Nos comerciais, Bolsonaro se apresentou como o criador do Auxílio e garantiu que ele será mantido em 2023, “dentro da responsabilidade fiscal”. Em suas peças, Lula coloca em dúvida se Bolsonaro cumprirá a promessa de manter o benefício em 2023 e diz que com ele isso está garantido.

A fala de Bolsonaro pode deixar dúvidas. Se for “dentro da responsabilidade fiscal”, o Auxílio não será mantido: não há recursos para isso dentro do teto de gastos, tanto que o próprio presidente falou em financiar a nova despesa com a privatização de empresas estatais.

Contar com a venda de estatais – uma receita extraordinária – para bancar o Auxílio – uma despesa fixa – é insólito. O novo valor será mantido fora da responsabilidade fiscal mesmo – com Lula ou com Bolsonaro. O resto é conversa de candidato em palanque.