O presidente Jair Bolsonaro tinha motivos para concentrar seu discurso de campanha desta quinta-feira na economia, seu principal problema para angariar votos. Foi divulgado um crescimento de 1,2% do PIB no segundo trimestre e um recuo do desemprego. Bolsonaro postou isso em suas redes sociais.

Mas, em um evento em São Paulo, o presidente investiu novamente contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes. Criticou o fato de Moraes ter criado um “núcleo de inteligência” no TSE.

O núcleo formado por representantes das polícias militares e integrantes do TSE vai tentar identificar e prevenir casos de violência política, um fenômeno recente que resultou no assassinato de um petista por um bolsonarista no Paraná.

Bolsonaro usou sua conhecida estratégia de citar um assunto sem dar detalhes, para lançar uma suspeita e mexer com a imaginação de seus seguidores. Focou no termo “inteligência”, para sugerir que Moraes estaria extrapolando seus poderes em direção à espionagem e ao controle.

Além da raiva de Moraes devido ao inquérito das fake news, Bolsonaro usa a questão do núcleo para fomentar seu discurso de mentiras contra o TSE, as urnas eletrônicas e lançar suspeitas sobre a lisura das eleições.

Bolsonaro já ouviu diversas vezes de seu marqueteiro, Duda Lima, e dos aliados políticos que o eleitor considera este discurso inadequado e cheiro de perdedor. Quando fala isso, Bolsonaro não ganha votos – perde.

O presidente, no entanto, insiste nele para manter a pressão contra Moraes e o TSE e incentivar sua militância mais radical. Sua intenção é ter no bolso a alternativa da contestação do resultado da eleição com um tumulto ao estilo 6 de janeiro de 2020.

Bolsonaro não desistiu de alcançar Lula e ir ao segundo turno. Mas também não abandonou a ideia de perturbar a democracia em caso de derrota. Joga nas duas.