A equipe da campanha à reeleição já desconfiava que Jair Bolsonaro não cumpriria a promessa de não atacar os ministros Supremo Tribunal Federal nos atos de 7 de setembro. Com a decisão desta segunda-feira do ministro Edson Fachin, isso se tornou uma certeza. O trabalho agora é para reduzir os danos que virão.
Fachin atacou a pauta que Bolsonaro mais preza, a defesa das armas. Por isso, ninguém acredita que o presidente deixará a atitude passar incólume quando estiver na frente de uma multidão de apoiadores.
Dentro do comitê à reeleição acredita-se que os ataques de Bolsonaro ao STF beneficiam o discurso de Lula de que sua eleição é fundamental para a defesa da democracia.
Baseados em pesquisas, os profissionais da campanha do presidente sabem que os ataques contra ministros do Supremo afastam o eleitorado de centro. Só agradam aos eleitores mais radicais, aqueles que nem precisam disso para votar em Bolsonaro. Na matemática eleitoral, portanto, significa perder votos.
Imagens, discursos e interações do presidente com o público serão registrados para uso na propaganda no rádio e na TV- os atos são vistos como gancho para a virada nas pesquisas. Mas serão feitas marcações nas imagens para evitar que os ataques sejam usados por adversários.
Também estão sendo elaboradas estratégias de defesa preventiva para as redes sociais – como a de que o presidente e seus eleitores são vítimas de perseguição pelo STF – e para o pós-7 de setembro. Tudo isso, é claro, vai depender do que Bolsonaro decidir depois com seu filho Carlos.

