No aquecimento para o 7 de Setembro, o programa de Jair Bolsonaro subiu vários degraus na agressividade. Nesta terça-feira, o filme de dois minutos da campanha do presidente associou Lula ao crime e mostrou eleitores dizendo que não votariam em um “ladrão”.

O filme bolsonarista mistura a violência nas ruas, inclusive com um assassinato, com uma fala de Lula contra a violência policial contra jovens que “podem ser inocentes ou roubaram um celular”. É o ataque mais agressivo de Bolsonaro a Lula no tema corrupção, um notório ponto fraco do petista.

A campanha de Bolsonaro acelerou. As pesquisas indicam que as chances de Lula vencer no primeiro turno são pequenas, mas Bolsonaro não vem reagindo. O Auxílio Brasil e as sistemáticas reduções nos preços dos combustíveis não fizeram efeito: há um mês Bolsonaro está na casa dos 32% e não avança.

A saída é apelar para tentar aumentar a rejeição a Lula e, assim, reduzir sua capacidade de captar os votos de eleitores de Ciro Gomes, Simone Tebet e indecisos. E esperar que eles migrem para Bolsonaro.

Desde o início, a campanha de Bolsonaro tem sido errática. Dividida internamente, tem estratégias diferentes. Apostou no Auxílio Brasil e nos combustíveis, depois nas realizações do governo e tentou ereduzir sua rejeição entre as mulheres. Por motivos diversos, inclusive erros do presidente, as coisas não funcionaram.

A mistura de corrupção com violência guarda uma armadilha. É fácil para Bolsonaro associar segurança à liberalização das armas, sua pauta mais querida. Mas sete em cada dez eleitores não acreditam que ter uma arma aumenta a segurança – ou seja, rejeitam a ideia de Bolsonaro.

A alternativa da corrupção é fácil para Bolsonaro, já foi usada em 2018. A dúvida é sobre sua eficácia. As pesquisas mostram que a corrupção não é tema da campanha, como foi há quatro anos; o tema é economia. Candidatos devem tentar sempre impor uma agenda na campanha, mas precisam também se render à realidade.


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