Há um mantra na advocacia de que nunca se deve confundir advogado e cliente. O lema da classe vale também para os amigos. Tanto que o jurista conservador Ives Gandra Martins está atuando no Supremo Tribunal Federal contra o governo de Jair Bolsonaro, de quem é próximo.
Ives Gandra representa o PPS (Partido Popular Socialista) em pedido ao Supremo Tribunal para que a União retome as isenções fiscais para produtos consumidos na Zona Franca de Manaus e importados para a área de tributação especial. Ano passado, o governo limitou os benefícios tributários concedidos às empresas da Zona Franca.
Junto ao jurista na empreitada estão Ellen Gracie, primeira mulher a ser nomeada e presidir o STF, e Luis Inácio Adams, ex-advogado-geral da União de Dilma Rousseff. Ives Gandra se aproximou de Jair Bolsonaro ao longo do governo, quando passou a apresentar interpretações jurídicas que justificassem atos do presidente.
Uma das principais (e mais criticadas) teses foi a que dava ao artigo 142 da Constituição poder para permitir intervenção militar no STF.
A filha do doutrinador bolsonarista, Angela Gandra, integra o atual governo. É secretária nacional da Família, tendo viajado com a então ministra Damares Alves para participar de pregação religiosa na Guatemala. O passeio ecumênico custou 33 mil reais.

