O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu a informação de que as Forças Armadas poderão fazer uma espécie de apuração paralela da eleição. Mesmo assim, a possibilidade amedronta aliados do presidente Jair Bolsonaro.

Uma fonte do governo admitiu ao Bastidor que, enquanto o TSE não desmentiu, a informação foi motivo de conversa entre o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) e o presidente da Câmara, Arthur Lira,ambos do PP.

O jornal Folha de S. Paulo divulgou na segunda-feira, que os militares poderiam fazer uma espécie de apuração paralela da eleição. Mediante um acordo com o TSE, poderiam fotografar os boletins de 385 urnas para conferir os resultados. O TSE desmentiu a informação poucas horas depois.

A leitura corrente entre aliados de Bolsonaro é que, se a história existisse, seria “urgente” articular com generais do alto comando do Exército e oficiais graduados de Marinha e Aeronáutica, uma forma de pressionar o ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira.

Muitos militares graduados não concordam com a postura de Nogueira de atuar como emissário de Bolsonaro na cruzada para desqualificar as urnas e a eleição.

Para a fonte do Palácio do Planalto, a ação prometida pelas Forças Armadas serviria apenas para iniciar uma crise sem precedentes desde a redemocratização.

A informação é que os militares pretendiam verificar os boletins de 385 urnas nas zonas eleitorais, para conferir se batiam com os dados que chegam ao TSE. A preocupação são as distorções que poderão ser criadas.

“Imagina a vitória de Lula no resultado geral e a vitória de Bolsonaro nas 385 urnas: as Forças Armadas vão dizer que a amostragem representa estatisticamente o total de eleitores – e que, portanto, houve fraude? Ainda que não diga e considere que houve distorções, quem controla a narrativa do presidente e de seus radicais?”, diz a fonte.

As urnas não reproduzem o universo de eleitores, ao contrário das pesquisas de intenção de voto. Tão poucas urnas não são uma amostra de todo o eleitorado.

Bastidor vem informando que há resistência da ala política da base do governo, entre os quais estão Ciro Nogueira, Arthur Lira e Valdemar Costa Neto, ao discurso de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral. Por sobrevivência política, ninguém quer embarcar em golpe.