O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, pôs em prática uma estratégia para reduzir o espaço de Jair Bolsonaro de fabricar teorias conspiratórias sobre o resultado das eleições.
Moraes recebeu o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, em duas audiências e aceitou sua sugestão de mudança de procedimento no teste de integridade das urnas. Parou por aí.
Segundo interlocutores de Moraes, a decisão de não ter um terceiro encontro, como queria Nogueira, foi tomada para não cair em uma armadilha: Nogueira poderia solicitar acesso a mais dados; se Moraes recusasse, o militar e Bolsonaro poderiam acusar o TSE de má vontade. A nova reunião ocorreria ontem, segundo a Defesa. Na verdade, Moraes nunca agendou o encontro efetivamente.
Outra decisão de Moraes foi publicar na internet os boletins de urna, tão logo acabe a votação. Até a eleição passada, o documento era colado na porta da sessão eleitoral e só ia para a internet dias depois. Agora, estará disponível instantes após o fim da votação.
Com este movimento, o TSE desarma a ideia dos militares e reduz o espaço para uma teoria conspiratória por parte de Bolsonaro, já que qualquer cidadão poderá checar publicamente a informação.
É com este documento que as Forças Armadas pretendem fazer uma “auditoria” do voto. A intenção foi anunciada numa reunião ministerial no início de julho, num contexto de ataques à confiabilidade das urnas.
Na semana passada, como informou o Bastidor, Nogueira voltou a prometer a Bolsonaro a contagem paralela por meio dos boletins.
A contagem de votos a partir de boletins de uma pequena parte das urnas eletrônicas pode gerar um resultado distorcido, sem coerência com o resultado geral das eleições. A divergência nos números daria a narrativa de fraude que Jair Bolsonaro precisa para criar uma confusão.
Ao disponibilizar na internet todos os boletins de urna, qualquer cidadão poderá efetuar a contagem dos votos e “auditar” o resultado. O extrato traz informações como o total de votos por partido, por candidato, o total de votos nominais e de legenda, além dos votos nulos e em branco.

