Por conta das pesquisas de intenção de voto –nesta quinta-feira, 22, sai mais uma do Datafolha– instalou-se uma crise dentro da equipe de campanha do presidente Jair Bolsonaro.

A divisão em dois grupos antagônicos – de um lado os profissionais de marketing e os políticos, do outro os radicais – passou a ser entre três.

Houve uma cisão entre os políticos e os profissionais de marketing rachou o primeiro grupo. Tudo por causa das pesquisas de intenção de voto – ou como se fala delas para Bolsonaro.

Enquanto os políticos dizem acreditar que as pesquisas manipulam o sentimento do eleitorado – Ciro Nogueira já cansou de prometer uma virada a Bolsonaro – a turma do marketing acha que é preciso compreender os números, em vez de brigar com eles.

Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira passaram a dizer a Bolsonaro que as pesquisas não captam os eleitores satisfeitos com seu governo, como os que recebem o Auxílio Brasil ou os beneficiados pela redução do preço dos combustíveis. Segundo a dupla, Bolsonaro está “colado” em Lula.

É um alinhamento momentâneo da turma dos políticos com o grupo radical – do qual faz parte Carlos Bolsonaro -, que está certo de que o presidente lidera as intenções de voto, ao contrário do que apontam os levantamentos. É a turma que acredita no subjetivo “datapovo” de Bolsonaro.

O marqueteiro Duda Lima disse a interlocutores que seu trabalho de amenizar a imagem do presidente está dando certo, mas sempre esbarra nos “deslizes” vistos como radicalização pelo eleitor.

Chegou a afirmar que Bolsonaro subiu da casa dos 20% para a dos 30% com sua entrada na campanha. Só parou de subir devido aos ataques às urnas, às ameaças veladas sobre o resultado das eleições e às declarações machistas.