Nos últimos dias, as redes sociais do presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e apoiadores passaram a reforçar as imagens de eventos e mensagens de vitória no primeiro turno. Nesta quinta, o presidente da Câmara, Arthur Lira, colocou em dúvida a lisura das pesquisas eleitorais em um tuíte. Não há o menor risco de isso dar em coisa boa.
As pesquisas mostram que há uma possibilidade de Lula vencer no primeiro turno, mas o mais provável é haver segundo turno. Nenhuma pesquisa sinaliza que Bolsonaro possa vencer no primeiro turno. Bolsonaro e os seus sabem disso.
Questionar resultados de pesquisas sérias com imagens de eventos partidários é ridículo. No mundo racional. Na esfera bolsonarista, o discurso tem impacto. A consequência pode ser a ocorrência de tumultos e violência.
Nesta semana, um pesquisador do Datafolha foi agredido por um bolsonarista no interior de São Paulo. O Datafolha, principal empresa de pesquisas do país, registrou vários episódios assim, algo inédito.
A pressão de Bolsonaro e dos seus é uma forma de intimidação e a preparação do terreno para a contestação do resultado. Será preciso que, nos próximos dez dias, as autoridades estejam atentas. Os cidadãos terão de ter cuidado. Profissionais como pesquisadores e funcionários da Justiça Eleitoral terão de ser prudentes. Nada indica que será uma eleição como todas as outras.

