A figura exótica no debate do pool de veículos de imprensa exibido pelo SBT e pela CNN foi certamente Padre Kelmon. O político do PTB, que está substituindo Roberto Jefferson na disputa, foi ao evento para trocar figurinhas com Jair Bolsonaro e chegou até a defender o presidente durante uma das respostas.

Kelmon se autointitula padre pela Igreja Ortodoxa do Chile, uma agremiação que sequer é reconhecida pelos patriarcados clássicos da fé ortodoxa. Na campanha, tem defendido, em tom alarmante, que a eventual vitória de um partido de esquerda pode colocar em risco cristãos de todas as vertentes – algo que nunca aconteceu na história de governos socialistas no Brasil, sejam federais, estaduais ou municipais.

O padre também se posicionou contra o aborto e forçou candidatos a falarem sobre o tema, pauta defendida com afinco por boa parte do conservadorismo nacional. Em uma pergunta a Simone Tebet sobre o assunto, chegou a tentar interrompê-la enquanto ela tentava responder.

Nas duas oportunidades que teve para fazer perguntas aos demais candidatos, Bolsonaro usou Kelmon para defender as próprias pautas. Questionou, por exemplo, o que o padre tinha a dizer sobre as políticas de assistência social e ouviu como resposta um ataque aos demais candidatos, que faziam ataques ao presidente.

“A minha opinião é que o senhor tem ajudado muito a esse país e o senhor tem sido aqui alvo de um massacre. Eu nunca vi algo assim”, respondeu.

Também ficou incomodado ao ser questionado sobre a Lei da Ficha Limpa, que impediu Jefferson de seguir na disputa. O presidente de honra do PTB está inelegível até dezembro do ano que vem, por ter sido condenado no processo do mensalão. Em resposta, disse que o debate era de cinco contra dois, pois ele e Bolsonaro eram os únicos conservadores que estavam na disputa e criticou a participação de Lula nas urnas.

Na última participação, antes das considerações finais, foi questionado pelo jornalista Márcio Gomes, da CNN, sobre o que pensava a respeito da lei de cotas. Em vez de dar argumentos sólidos, se resumiu a dizer que a lei, na verdade, criava uma “divisão racial”no país.

“Essas leis que vocês colocam como argumentos para criar a divisão racial, levam ao quê?”, questionou sem dar uma resposta efetiva à própria pergunta.