A cinco dias da eleição, a conjuntura é amplamente favorável a Lula. Após mais duas pesquisas que mostram uma vantagem confortável e a possibilidade de vitória no primeiro turno, crescem as adesões ao petista. O voto útil está a pleno vapor e é irreversível. O efeito colateral é a radicalização de Jair Bolsonaro.
As circunstâncias eleitorais são desfavoráveis a Bolsonaro. Faltam apenas cinco dias e ele está estacionado no mesmo nível há várias semanas. Nada do que sua campanha tentou deu certo. Mas são amplamente favoráveis a seus planos de tumultuar a eleição.
O Bastidor mostrou que Bolsonaro vai convocar uma “onda verde e amarela”, para captar imagens que serão usadas para contestar o resultado da eleição. Em caso de derrota, dirá que o apoio nas ruas não combina com o resultado das urnas e insuflará tumultos. Contestar votos computados por imagens é uma ofensa à inteligência, mas basta para que apoiadores atendam ao chamado de Bolsonaro.
Na segunda-feira, o presidente retomou a ladainha de recitar fake news para colocar em dúvida a segurança das urnas e dizer que os militares fiscalizarão a apuração, o que não é verdade. Depois que tudo deu errado, Bolsonaro está à vontade para ser ele mesmo nos últimos dias antes do primeiro turno.
Portanto, os próximos dias serão de discurso golpista, ataques a Lula pelo viés da corrupção, fake news sobre perseguição religiosa, bravatas sobre comunismo e ampla pregação em favor de protestos em caso de derrota. Bolsonaro poderá ser ele mesmo.
Bolsonaro não é um candidato normal. Políticos jogam para vencer nas urnas. Bolsonaro joga para vencer nas urnas, mas também para atuar “fora das quatro linhas”, que é contestar o resultado de uma eleição. Esta segunda opção tornará os próximos dias tensos.

