Jair Bolsonaro teve uma noite de derrotas seguidas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (27). A corte manteve as liminares que o proíbem de usar as imagens da viagem internacional realizada na última semana e a exibição de lives promovidas dentro do Palácio da Alvorada.

As decisões liminares em ambos os casos foram proferidas pelo ministro Benedito Gonçalves, corregedor-geral da Justiça Eleitoral. O magistrado considerou que, em ambos os casos, há indícios de que Bolsonaro abusou do poder político. Com as decisões, foram abertas Ações de Investigação Judicial Eleitoral contra o presidente. 

Não houve unanimidade nos dois processos. No caso da viagem internacional, em que Bolsonaro participou do funeral da rainha Elizabeth II e da abertura da Assembleia-Geral da ONU, quase todos os ministros concordaram com os argumentos de Gonçalves. 

Apenas Carlos Horbach foi contrário. O ministro analisou que outros presidentes também usaram os discursos na ONU, em tempos de eleições, para fazerem propaganda dos próprios governos, junto a outros líderes mundiais.

No segundo caso, referente às lives, o debate foi mais intenso. Horbach, Raul Araújo e Maria Cláudia Bucchianieri avaliaram que o presidente poderia usar o espaço do Palácio da Alvorada para realizar as apresentações semanais, mesmo com conteúdo eleitoral.

Contudo, eles foram vencidos por Gonçalves, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes. Os quatro ministros analisaram que a situação é muito complexa e demanda mais estudos por parte do TSE. Por isso, preferiram proibir as lives de Bolsonaro, até que o mérito da questão seja julgado.