A ex-ministra Damares Alves foi eleita senadora pelo Distrito Federal neste domingo (2). Depois de ter sido colocada em segundo plano por Jair Bolsonaro, ela se apegou à figura da primeira-dama, Michelle, para construir uma candidatura que deu certo.
Com 98,72% dos votos apurados em Brasília, Damares estava eleita com 45,06% do total. Em segundo lugar, ficou a deputada federal e também ex-ministra, Flávia Arruda.
A candidatura de Damares foi decidida nos últimos dias para o prazo de filiação a algum partido político. O sonho da ex-ministra era receber apoio incondicional do presidente, mas ele preferiu dar mais espaço à família Arruda, com quem já vinha negociando. Bolsonaro preferia que Damares fosse candidata à Câmara. A escolha deixou Damares magoada. Mas o Republicanos insistiu e a lançou.
Flávia era a candidata preferida do Planalto. Na campanha, ela exaltou diversas vezes uma fala do presidente dizendo que, dos 23 ministros, a deputada era a melhor que ele havia escolhido.
Além de Flávia ficar sem mandato, a candidatura de seu marido, o ex-governador José Roberto Arruda, foi cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em virtude das condenações que ele tem por improbidade administrativa. Com isso, os votos atribuídos a ele nas urnas são considerados como nulos.
Damares Alves chegou ao governo federal com a ajuda do ex-senador Magno Alves, devido à fervorosa defesa de valores conservadores e da proximidade com membros de igrejas evangélicas.
No governo, acumulou polêmicas desnecessárias, como quando defendeu que meninos deveriam usar roupas azuis e meninas, rosa. Durante a campanha, afirmou ter dirigido um ministério sem corrupção, mas vários escândalos sob o comando dela foram alvo de investigações, que ainda estão em curso.
Um desses casos envolve uma ONG de Alagoas, em que há suspeita de R$ 400 mil em desvios. O Bastidor mostrou detalhes dessa investigação nos últimos meses.

