Sergio Moro e Deltan Dallagnol conseguiram se eleger neste domingo (2), como senador e deputado federal, respectivamente. Os dois principais nomes da Operação Lava Jato desistiram das carreiras concursadas para tentar a vida na política. É a primeira vez que eles entraram em cargos eletivos.
As trajetórias dos dois líderes da maior operação contra a corrupção já realizada no Brasil teve caminhos distintos. Moro deixou a carreira de juiz para ser ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro, ainda em 2018, logo depois das eleições.
Assumiu o cargo, mas ficou menos de um ano e meio no posto. Saiu fazendo acusações contra o presidente de tentativa de interferir no comando da Polícia Federal, para beneficiar familiares em investigações a que respondiam.
Depois de deixar o governo, Moro passou um ano como consultor jurídico no escritório Alvarez & Marsal, nos Estados Unidos. A empresa atende a clientes como a Odebrecht, principal alvo da Lava Jato. Ao voltar ao Brasil, filiou-se ao Podemos. Um mês depois, seria a vez de Dallagnol.
A filiação ao partido teve o aval do senador Alvaro Dias. A ideia era colocar Moro como candidato a presidente. O ex-juiz foi apresentado como alternativa a Lula e Bolsonaro. Mas a falta de apoio interno e as pesquisas de opinião fizeram com que ele desistisse e se filiasse ao União Brasil, depois de receber um convite de Luciano Bivar, presidente da legenda.
No novo partido, Moro foi novamente escanteado e perdeu o posto de presidenciável. Restou-lhe apenas a opção de concorrer a um cargo no legislativo. Tentou a troca de domicílio eleitoral para São Paulo, onde pretendia ser candidato ao Senado, mas a Justiça Eleitoral o impediu.
De volta ao Paraná, Moro demorou, mas decidiu concorrer ao Senado, enfrentando o outrora amigo Alvaro Dias. A mudança gerou mágoa ao senador, que terminou a apuração neste domingo apenas no terceiro lugar, atrás também de Paulo Martins, do PL.
Já Deltan teve uma vida mais tranquila dentro do Podemos. As complicações do ex-procurador da República se mantiveram fora do campo eleitoral, mas na Justiça. Em agosto, ele chegou a ser condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por causa de diárias pagas aos ex-participantes da Força-Tarefa da Lava Jato. A condenação foi suspensa pela Justiça Federal, em Curitiba.
Por causa dessa condenação, Deltan teve a candidatura impugnada, mas conseguiu manter o registro. Nas eleições deste domingo, terminou como o deputado mais votado. Até a última atualização deste texto, com 99,24% das urnas apuradas, ele já tinha 344.310 votos. Em segundo lugar aparece a deputada Gleisi Hoffmann, com 259.480 votos.
Outra pessoa ligada indiretamente à Lava Jato e que foi eleita neste domingo é Rosângela Moro, pelo União Brasil. A mulher do ex-juiz conseguiu manter a troca de domicílio eleitoral para São Paulo.

