O presidente Jair Bolsonaro chega ao segundo turno com mais votos do que esperava. Isso dá a ele não apenas força numérica, mas algumas licenças importantes para a campanha até o dia 30.
Desde o início da campanha, aliados políticos de Bolsonaro o aconselharam a ser mais moderado, evitar críticas à Justiça Eleitoral e outras medidas que o aproximariam do eleitor de centro.
Bolsonaro fez parte disso, ao torcer a lei eleitoral e gastar R$ 41 bilhões em benefícios aos mais pobres. Fez também alguns acenos ao eleitorado feminino. Em poucas ocasiões, se segurou ao falar da Justiça Eleitoral.
Mas, nos últimos dias de campanha, Bolsonaro se soltou e fez o que quis. Ao ter mais votos do que o projetado, poderá dizer que chegou ao resultado sendo ele mesmo, o Bolsonaro de 2018.
Esta postura agrada não só Bolsonaro, como seu filho, Carlos. Ao mesmo tempo, enfraquece a postura de seus marqueteiros e dos políticos a seu lado.
Bolsonaro poderá investir mais ainda em fake news contra Lula, seja na associação à perseguição religiosa, seja a associação ao crime organizado.
Bolsonaro também poderá insistir com mais força no ataque à Justiça Eleitoral e às ameaças de golpe. Contestar uma derrota em primeiro turno seria difícil. Contestar uma derrota em segundo turno, e que pode ser por margem curta, é muito mais simples.

