O Ministério da Educação publicou no Diário Oficial, no fim do mês passado, a nomeação da empresária Elizabeth Guedes, irmã do ministro Paulo Guedes (Economia), para ocupar uma vaga na Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação.

Só falta a assinatura do presidente Jair Bolsonaro, tida como certa. Elizabeth já trabalha entre futuros conselheiros para ser a próxima presidente do órgão.

Na Câmara de Educação Superior, Beth e seus pares serão responsáveis por regular o setor das universidades e faculdades privadas – justamente a área em que ela atua como lobista.

Beth é presidente da Associação Nacional de Universidades Particulares, entidade que faz lobby para o setor tanto no Congresso Nacional quanto nos tribunais superiores. A entidade representa os maiores conglomerados da educação superior, como Kroton (uma das maiores com capital aberto e dona de muitas marcas), Anhembi Morumbi e Yduqs (dona da Estácio de Sá, que também tem ações negociadas em bolsa).

Um exemplo de um possível conflito de interesse, apontado ao Bastidor por um conselheiro do CNE: as empresas representadas pela irmã de Paulo Guedes atuam no Supremo Tribunal Federal a favor da limitação da abertura de vagas para cursos de medicina.

Num país onde faltam médicos, diz um conselheiro sob condição de anonimato, “a medida é vista como reserva de mercado”. Nomeada, caberá a Beth Guedes aprovar ou não a abertura de cursos e novas vagas. “É a raposa cuidando do galinheiro”, diz.