Em um vídeo postado após uma reunião do PDT que decidiu apoiar Lula no segundo turno, Ciro Gomes falou por dois minutos para confirmar que estaria com o adversário, mas sem dizer seu nome. Ciro teve 3% dos votos no primeiro turno, contra 12% de 2018. Simone Tebet, 5% dos votos, deve aderir a Lula. O PT negocia o apoio do MDB, que pode levar mais tempo.
O presidente Jair Bolsonaro ganhou o apoio do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, derrotado no primeiro turno, e do governador reeleito do Rio, Cláudio Castro. Já tem o de Romeu Zema, reeleito em Minas.
Ganhou também com a decisão do PSDB em ficar neutro no segundo turno. O partido está em vias de ficar nanico, mas a neutralidade significa uma ajuda no interior de São Paulo, o maior colégio eleitoral.
Os apoios acertados nesta terça-feira fazem parte do jogo de segundo turno. Sinalizam que prefeitos, deputados e outros operadores da política que estavam com o derrotado podem trabalhar pelo escolhido.
Contudo, isso não necessariamente significa que o eleitor vai seguir seu candidato. Apoio de político não é transferência de voto. Cabeça de eleitor é uma terra desconhecida, onde ninguém é capaz de chegar.
Os 3% de Ciro Gomes tendem, por afinidade ideológica, a ir mais para Lula do que para Bolsonaro. De acordo com a pesquisa da Genial/Quaest, 50% dos eleitores de Ciro diziam votar em Lula no segundo turno e apenas 23% em Bolsonaro. O mesmo raciocínio vale para Tebet, com seus 4%. Na mesma pesquisa, 45% de seus eleitores escolhiam Lula no segundo turno e 23% Bolsonaro.
Mas o primeiro turno ensina que não é sempre assim. O fato de Ciro ter batido muito em Lula e aliviado para Bolsonaro em certos momentos levou eleitores de Ciro a votarem no presidente. Parte dos eleitores de Simone Tebet e de Ciro pode votar branco, nulo ou mesmo se abster, comportamentos que as pesquisas não conseguem captar.
Pesquisas ajudam a enxergar tendências. Alianças políticas são essenciais no jogo eleitoral democrático. Mas comportamento de eleitor é imprevisível.

