O fato de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, reclamar de fake news dá a medida de como foi longe a campanha eleitoral até o momento. Principal responsável pela eficiente máquina de fakes de Jair Bolsonaro nas redes sociais desde 2018, Carlos e o bolsonarismo vêm sentindo o golpe desde ontem, terça-feira.
Foi quando a campanha petista conseguiu, pela primeira vez, viralizar com sucesso algo que realmente machucou Bolsonaro. O post traz um vídeo do presidente em reunião numa loja da maçonaria e usa o antigo clichê preconceituoso e falacioso entre cristãos de que maçons são satanistas (por precaução: não são).
O objetivo óbvio é atingir o público religioso, que vota mais em Bolsonaro do que em Lula. É o troco pela campanha do presidente, que espalhou fake news de que Lula apoia a perseguição a religiosos e defende o aborto e outros temas que desagradam católicos e evangélicos.
A fake news petista feriu o bolsonarismo de verdade. A reação de Carlos mostra que, após quatro anos de domínio, seu lado não sabe se defender quando atacado com os mesmos recursos que usa.
Nesta terça e nesta quarta, o vídeo petista e uma foto de Bolsonaro numa loja maçônica, adulterada para incluir símbolos místicos que são novamente confundidos com satanistas, repercutem tanto, que superam as notícias positivas dos apoios recebidos por Bolsonaro para o segundo turno.
A blitz petista é elaborada, a ponto de utilizar perfis fakes ou antigos de defensores de Bolsonaro para impulsionar a história e tentar influenciar a opinião de outras pessoas. Os perfis dizem que estão decepcionados com Bolsonaro e, por serem cristãos, vão abandoná-lo.
O PT conseguiu em uma ocasião fazer o jogo sujo das redes sociais, que elegeu Donald Trump, faz miséria no mundo e sempre foi usado com habilidade pelo bolsonarismo. Dá alguma paridade de armas na campanha.

