Com a ajuda de seus aliados no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro tem duas frentes de intimidação a explorar nos próximos 20 dias de campanha eleitoral. Vai atacar os institutos de pesquisa e ameaçar o futuro do Supremo Tribunal Federal. Ambas servem à estratégia de contestar o resultado da eleição.
O presidente falou no final de semana em ampliar de 11 para 16 o número de ministros do STF. Recebeu a adesão do vice, Hamilton Mourão, senador eleito. Nesta segunda-feira, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, defendeu a proposta também. (Coisa assim foi feita pela ditadura militar brasileira na década de 1960 e mais recentemente por Hugo Chávez para se tornar ditador na Venezuela).
Tanto Bolsonaro quanto Barros colocaram condicionantes para não levar a proposta adiante: se o Supremo “baixar a temperatura”, se houver “uma boa conversa com a presidente, Rosa Weber” ou se a corte recuar de seu “ativismo judicial”. É uma clara ameaça. Mesmo que o Supremo aceitasse se submeter, Bolsonaro não recuaria.
A função da ameaça é intimidar ministros, para que tomam menos decisões contra Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral, cujo presidente é Alexandre de Moraes. Serve também à estratégia de passar a imagem de que Bolsonaro é perseguido pelo Supremo. Com isso, fica mais fácil rejeitar o resultado da eleição.
Nesta semana, a Câmara tentará votar um projeto que praticamente criminaliza a realização de pesquisas eleitorais. O projeto é inconstitucional e terá vida curta. Mas servirá à estratégia de Bolsonaro e seus aliados de desacreditar os institutos e colocá-los como empresas a serviço da candidatura de Lula durante a fase mais quente e delicada da campanha.
Os erros dos institutos de pesquisa no primeiro turno só tornam esta tarefa mais fácil. A função da tramitação do projeto é amplificar o barulho da discussão e fazer com que parlamentares e aliados inundem as redes sociais de mensagens contra os institutos e pedidos para que bolsonaristas não respondam a pesquisas. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, já fez isso.
Se o resultado das urnas for uma derrota, mas Bolsonaro tiver mais votos que o indicado pelas pesquisas, seu discurso de desconfiança sobre o processo eleitoral e tudo que o cerca estará garantido.

