O governador de Alagoas, Paulo Dantas, foi afastado do cargo por decisão da ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta terça-feira (11). O político do MDB é suspeito de comandar um esquema de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa, no período em que a presidia. O processo está sob sigilo.

Na operação desta terça-feira, os policiais cumpriram 31 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Dantas e a outros investigados. O vice-governador, José Wanderley, deverá assumir as funções. Com apoio de Renan Calheiros, Dantas concorre ao governo de Alagoas. Disputa o segundo turno com Rodrigo Cunha, candidato de Arthur Lira.

Segundo investigadores do caso, a PF apreendeu, em endereços ligados a Dantas, R$ 264 mil em dinheiro. Parte dessa quantia estava com o próprio governador. Ele está em São Paulo, para participar de atos de campanha do ex-presidente Lula, a quem apoia.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, também foram bloqueados bens dos investigados no valor de R$ 54 milhões. O grupo é suspeito de cometer os crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Até agora, Dantas não se manifestou sobre a operação da Polícia Federal.

Dantas chegou ao cargo de governador em maio deste ano, depois que o titular, Renan Filho, renunciou para ser candidato ao Senado. O vice de Renan, Luciano Barbosa, renunciou em 2020, depois de ser eleito prefeito, o que obrigou a Assembleia a realizar uma eleição indireta para um mandato tampão até o fim deste ano.

Depois de ter levado a eleição, Dantas passou a ser a figura central de uma disputa de poder em Alagoas, envolvendo a família Calheiros e o presidente da Câmara, Arthur Lira, com o senador e o ex-governador apoiando o atual chefe do Executivo. A briga entre os dois lados também tem contornos nacionais, já que as famílias apoiam Lula e Bolsonaro, respectivamente. Até o pai do governador entrou na disputa, ao mudar de lado às vésperas do primeiro turno.