Antes de anunciar apoio a Jair Bolsonaro, no dia 4 de outubro, logo após ser eleito senador, Sergio Moro enviou interlocutores a Jair Bolsonaro. Queria avisá-lo da futura declaração de voto e perguntar se o gesto poderia lhe render uma aproximação. Seus emissários voltaram com o recado de que tudo poderia ficar no passado.
A preocupação de Moro é ser um pária no Senado. Sua avaliação foi a de que, ao se reaproximar de Bolsonaro, teria uma militância a quem recorrer – ainda que o presidente não se reeleja.
Bolsonaro esperou a declaração de voto para fazer o primeiro contato. Queria ter certeza de que seria Moro a fazer o primeiro gesto de distensionamento.
Naquele momento, falando com auxiliares, Bolsonaro chegou à conclusão de que Moro poderia ajudá-lo a mimetizar 2018 e os sentimentos anti-PT e anticorrupção, fundamentais para a sua eleição.
Moro declarou seu voto, e Bolsonaro ligou. Na conversa, prometeram se encontrar. O ex-juiz negou a ligação aos jornalistas, mas o próprio presidente admitiu. “Nós conversamos. Apagamos o passado, e agora é do presente para frente”, afirmou a senadores aliados no dia 5 de outubro.
Na semana passada, Bolsonaro ligou novamente a Moro e pediu um encontro neste fim de semana em São Paulo, quando ocorreria o debate na Band. Moro concordou. Fabio Faria e Fabio Wajngarten azeitaram a ida do ex-ministro ao debate.
Por motivos diferentes, Ciro Nogueira e Carlos Bolsonaro eram contra a reaproximação. O filho zero dois do presidente acreditava que o pai seria novamente traído pelo aliado, que deixou o governo em 2020 acusando Bolsonaro de interferir na Polícia Federal.
Já Ciro Nogueira achava que a reaproximação explícita daria argumento político a Lula de que fora perseguido por Moro para ajudar a eleição de Bolsonaro.
A ideia do presidente é que Moro se engaje na campanha, principalmente na região Sudeste, para reeditar a tática do combate à corrupção. Ontem, Moro disse que topa.

